O infinitivo em kimbundu, é formado unindo-se o radical verbal ao prefixo KU.
O radical verbal é aquele com o qual vamos trabalhar em todas as formas conjugadas. Representarei o mesmo precedido por um tracinho(-), isto é, seria o próprio verbo no infinitivo sem o seu prefixo ku do infinitivo.
A seguir damos exemplos para melhor compreensão:
OBSERVAÇÃO: No dicionário de Padre Antonio da Silva Maia, costumamos ver os verbos traduzidos para o infinitivo na forma de radical verbal(-ta,-zuika,-kina).Já Cordeiro da Matta, os coloca todos em sua forma no infinitivo. Assim se quisermos ver os verbos em kimbundu no dicionário de Cordeiro da Matta, teremos que pesquisar todas as palavra iniciadas po Ku(prefixo determinante do infinitivo).
Conjugação do infinitivo com o pronome objetivo infixo:
Dizemos infixo, porque os mesmos ficam no meio da palavra.
Os pronomes objetivos infixos são:
ngi: me ku: te mu: o, a, lhe tu: nos nu (ou mi no sertão): vos a:os, as, lhes
Esses pronomes irão ficar entre o prefixo KU do infinitivo, e o radical varbal> Alguns autores preferem fazer a escrita em separado (prefixo+pronome objetivo infixo+radical verbal), enquanto outros escrevem sem a separação. Para mim, prefiro colocá-los em separado, pois sempre me facilita o reconhecimento desta construção verbal.
Exemplo do verbo Kuzola no infinitivo, com os pronomes objetivos infixos
Kuzola= amar
O prefixo do infinitivo encontra-se presente (KU)
O radical do verbo é -zola
O pronome objetivo irá ficar entre o prefixo e o radical verbal.
Ku ngi zola=amar-me
Ku ku zola= amar-nos
Ku mu zola= amá-lo("amar-lhe")
Ku tu zola=amar-nos
Ku nu zola=amar-vos
Ku a zola= ama-los ("amar-lhes")
Importante também lembrar do pronome reflexivo RI(ou DI), que dá a ideia de fazer (ou praticar a ação) a si próprio, que pode ficar inserido entre o prefixo do infinitivo e seu radical verbal, escrito assim por alguns autores. Em Cordeiro da Matta, ele costuma escrever sem esta separação, e classifica até mesmo como um novo verbo, a que chama de verbo reflexivo.
Assim vemos em seu dicionário, verbos como kuzangula(-zangula)=erguer, levantar; e o verbo kurizangula, verbo reflexivo, traduzido como erguer-se, levantar-se.
Porém alguns autores, mantém o pronome reflexivo escrito de forma separada.
Interessante acabam sendo por vezes as traduções, quando empregamos o pronome reflexo
Exemplos:
Kumuena (-muena)=ver a
Kurimuena=verificar, ver com os própios olhos
Kulonga=ensinar, educar, lecionar
Kurilonga=aprender (ou seja, educar-de)
Interessante que com a colocação do RI, ficamos diante de dois verbos com significados diferentes