Nos links de nossa Hp, faço referência a um endereço que
muito despertou a minha atenção. http://www.filologia.org.br/soletras/4/04.htm
Através dele, pude
perceber melhor e reforçar muito sobre a pronúncia e regras gramaticais.
Recomendo a leitura do mesmo a todos!
Muitas palavras do
português acabaram inseridas no vocabulário do kimbundu, sendo que muitas
destas passaram a seguir as regras de gramática da língua local. Isto não
significa que não havia uma definição própria para o kimbundu, mas sim
demonstra a necessidade de comunicação entre duas culturas diferentes.
Algumas palavras porém, não faziam parte da realidade da comunidade local, como
por exemplo "garfo, copo", etc. Muitas palavras então sofreram um
processo de africanização e outras acabaram substituindo as demais por
possuírem significados semelhantes; como exemplo temos a palavra nganza
(cabaça), que certamente sendo utilizada para "beber", passa a ser
também utilizada com o significado de "copo" e nganga (sacerdote,
feiticeiro da tribo) passa também a ser denominação para "padre".
Pesquisando no
Dicionário Kimbundu, acabei encontrando muita destas palavras, que acabaram
fazendo parte do vocabulário regional, muitas delas sofrendo o processo de
africanização, seguindo as regras de gramática próprias da língua, bem
comomuitas delas sofrendo as modificações devido à pronúncia de acordo com o
fala dos naturais.
A língua kimbundu
quando passou a ser escrita, seguiu as
convenções adotadas por aqueles que a estudaram e a transcreveram; convenções
estas que variavam de acordo com a nacionalidade daquele que a escrevia, usando
cada qual, as letras e as sílabas para representarem o som conforme sua língua de origem. É devido a esta razão, que
encontramos obras com variantes de escritas para representarem o mesmo
som.(veja a inclusão do W, e do Y em algumas obras).Sem falar do som nasal, que
é representada pelo M ou N anteposto a uma consoante. Como exemplo deste som,
deixo a palavra do portuguesa “BANDA” que ao separarmos as silabas escrevemos
BAN-DA, como se o N reforçasse ou “nasalasse” a vogal A. Ao ser pronunciada em
kimbundu, teríamos separando as sílabas, para entendermos a pronuncia de forma
mais clara: BA-NDA, significando que o N está nasalando a letra D, e que a
sílaba BA, não sofre a influencia do N quanto a pronuncia. Creio que este som,
que existe em kimbundu, e que poderia ser representado por um til sobre a letra
D no exemplo, foi adotado por convenção
por todos aqueles que transcreveram a língua, representado assim pelo M e N
para dar o som nasal em questão.
E o que dizer sobre
aqueles que vieram como escravos ao Brasil? Muitos se esforçaram por diversas
razões a aprender Português sendo esta a primeira língua que aprenderam a
escrever(aqueles que foram alfebetizados).. E quantos destes não criaram as
suas “próprias regras” ao transcreverem para o papel a língua que fazia parte
de seu culto em sua língua materna? E quantos destes faziam parte de grupos
regionais diferentes, com variantes de pronuncias? Este questionamento que fiz
a mim mesma, me fez pensar que muitas vezes podemos nos precipitar ao julgar
errado aquilo que na realidade não constitua erro quanto ao conteúdo da
linguagem escrita usada no candomblé. Mais importante que procurar erros, é
estarmos atentos para pegarmos o “fio da meada”, decodificarmos a escrita,
entendermos a que grupos podem estar ligados, inclusive não esquecendo dos
grupos atuais que de posse de dicionários e gramáticas, acrescentam, e inventam,
deixando contudo sempre presentes à marca da invenção ou acréscimo. Devemos
lembrar também, que muitos repassaram através somente da
oralidade o seu culto, seja por falta de domínio da língua escrita, seja por
característica cultural, mas o fato, é que as novas gerações, daqueles que
receberam, muitos já não tinham o domínio da língua materna, não sabiam mais o
significado das palavras, e passam a escrever de acordo como perceberam a
escuta, modificando, separando ou unindo palavras, e introduzindo o português
ou até mesmo o yorubá e o espanhol aonde não caberia, somente por entenderem
algum som semelhante à palavra da qual tinha mais domínio. Lembro também,
aqueles que receberam a escrita correta, mas por não dominarem as
convenções feitas quanto à representação da pronuncia, modificaram e repassaram
errado o som da palavra. Isto de certo perpetuou alguns erros, mas tudo faz
parte da história e do conteúdo do candomblé.
Muitos afirmam que o
candomblé de Angola não tem linguagem própria, o que considero um erro de
compreensão de todos estes fatores, atropelando assim os detalhes da história.
Dizem muitos ainda que é mais fácil a
sua linguagem por conter palavras em português, o que não considero verdade,
mas acredito que podemos ter sim (isto quanto ao culto), palavras que sofreram
africanização ou passaram a fazer parte do kimbundu ou do kikongo. Isto não se
faz presente somente quanto a estas línguas , pois que a maioria das línguas
africanas só passou da oralidade para
a escrita após a chegada dos colonizadores, que trouxeram com eles novos
termos, e palavras, muitas das quais não faziam parte do cotidiano destes
povos. E devemos lembrar que é lógico que estes negros só foram trazidos como
escravos após o contacto com os colonizadores, chegando aqui já com um
vocabulário que sofreu acréscimo em relação ao de antes.
A seguir, deixo algumas
notas para facilitar a leitura e o entendimento das palavras africanizadas e
muitas até escritas da forma original do português que encontrei no dicionário
Kimbundu. Muitas delas fazem parte do dicionário de Padre Maia.
A letra g no
kimbundu tem sempre o som nasal e, por isto, na escrita, este som é
representado pelo ng – o g, portanto, sempre será precedido pelo
n no kimbundu.
Exemplo:
gaiola, que passa a ser ngaiola no kimbundu, ao sofrer africanização.
O d também
é sempre anasalado (nd), sendo única exceção quando é seguido pela vogal
i.
Exemplo:
doce, que passa a ser ndosse como escrita no dicionário kimbundu.
A letra t,
precedida de n, não é encontrado no kimbundu, embora esteja presente no
kikongo. Assim, muitas palavras do português que tinham nt passam a ser
escritas nd.
Em algumas
palavras do português em que a letra d não vem precedida do n,
este d é substituído por t, pois sabemos que o D sempre é nasal,
salvo quando precedido da letra i.
Exemplos:
bocado, que passa a ser bukatu, e defunto, que passa a ser difundu, no
kimbundu.
O b e
o v, no kimbundu também pode sofrer nasalização, e por convenção da
escrita representa este som o mb e o mv ou nv, tendo este
m ou n somente a função de nasalar, como já dito na primeira regra.
Exemplo:
vontade, que passa a ser nvondari ou nvondadi no kimbundu, batata que passa a
mbatata
A letra j
também pode sofrer nasalização – assim, a palavra janela, por exemplo, torna-se
njanela, ou njanena (aqui o na substitui la, muito comum no kimbundu, com a
intenção de "musicar" a língua).
O g,
por convenção dos autores em questão, nunca tem som de j; desta forma,
girafa passa a ser escrita jilafa.
Por convenção
a Letra S em kimbundu nunca tem som de Z, e quando tal ocorre, para a
escrita por convenção adotada pelos autores, substituem este S por Z. (Ex:
Paraíso=Paladizu). Tendo a letra S em kimbundu sempre o valor de S, substitui,
os sons Ce, e CI do português ( que escreveríamos SE, SI), bem como substitui o
Ç .(Ex: Cera=Sela (ou Kisela, precedida do prefixo de classe Ki). Porém encontrei algumas palavras do português que sofreram africanização, em que o S é substituido por Z (Ex: Salada=Zalata, sabão=Nzabá, neste último caso, o som Z com som nasal.
O S muitas
vezes também é substituído pela letra J, nestes casos ele tem o
som de Z no português, e vem seguido da vogal E ou I, que ao sofrer
africanização em kimbundu passa a JI , mesmo quando finaliza a palavra, neste
último caso, o J vem seguido de uma vogal, pois não existe em kimbundu palavra
terminada em consoante..
Exemplos:
Gás=gaji
Música=mujika
Mas=maji
Satanás=satanaji
Azeitona=njitona
Catecismo=Katisijimu
A letra G do português muitas
vezes é substituída pela letra K
quando sofrem africanização. Pude observar isto em algumas palavras, e percebi
que nestes casos ele sempre é precedido e seguido por uma vogal. Vice-versa
também ocorre, e como exemplo temos a palavra tanque (=ditangi em
kimbundu), em que o som que, que poderia ser representado pela letra K, é
substituído por ng . Isto ocorre porque em kimbunndu a letra K é refratária ao
nasal em kimbundu, logo nunca é precedida de N, tendo a palavra sofrido esta
mudança de acordo com a língua.
Exemplos:
Manteiga=mateka
Açougue=soki
Jogo=joko
Gago=ngaku
Trigo=tiliku
Logo=lokué,
Lôko
Prego=peleku
Tanque=ditangi
O prefixo KA,
quando utilizado para o diminutivo em kimbundu, assume o mesmo valor,
nas palavras derivadas do português
EXEMPLO:
Encontrei a
tradução para frasco (palabra do português) no dicionário com kangalafa, isto
nada mais é que o diminutivo de garrafa=ngalafa, sendo kangalafa uma pequena
garrafa, ou seja=frasco.
O prefixo Ka,
como indicativo de negação, precede as palavras derivadas do português com o
mesmo objetivo.
EXEMPLOS:
Encontrei a
palavra do português inútil , traduzida para o kimbundu como Kakixilivila, ou
seja, poderíamos entender como sendo aquele(a) ou aquilo que NÃO serve,
sabendo que servir, passou a forma africanizada –xilivila, e kixilivila seria
aquilo que serve, palavra da classe III
Casar=Kukazala
(-kazala), sendo solteiro definido como kakazala(ou seja aquele que não
é casado)
O prefixo KA quando indicativo
de nomes, alcunhas, ou aquele individuo que pratica a ação, ou oficio ou
natureza relativa ao nome , coloca-se a frente do verbo ou do nome, assim
também nas palavras africanizadas, tal como Kaputu, aquele que é natural de
Portugal, ou seja o português, podendo também servir para o diminutivo
A letra T é algumas
vezes substituída pela letra K e vice
versa ao sofrer africanização. Já vimos que isto faz parte de um estudo sobre
as variantes de pronúncia.
EXEMPLO:
Tipóia=Kipóia
Lata=laka
Em
relação ao som SI (ou CI do português), ou o Ch do português, são
substituídos por XI, ou X ou S, respectivamente, sendo que em kikongo, é mais
freqüente o som SI no lugar de XI veja o exemplo do verbo Kuxika (-xika)=tocar
em kimbundu, sendo equivalente a Sika em kikongo, assim também podendo
acontecer nas zonas limítrofes do kimbundu, e podemos encontrar nos
dicionários, ora Si ora XI, conforme a região em que foi feita esta adição(em
relação as palavras que sofreram africanização). Também as sílabas terminadas
em S, passam a SI ou XI ( ESMOLA=SIMOLA). Algumas vezes encontrei
o som CI, substituído por ZI , tal como em palácio=palazio, porém também
escrito palasu, com elisão do I, ou escrito palaxu(tradução esta dada para o
kikongo). Pretendo abrir um tópico para compararmos dentro do possível e o que
possa alcançar, as variantes de pronuncia comparada das línguas bantu, e vermos
o tronco lingüístico em comum. Pude observar a troca de uma letra, para
significar a mesma palavra nos dois idiomas, sendo que nas zonas limítrofes,
temos a mistura de falares, e por isso encontrarmos as diferenças, conforme os
autores se dedicaram ao estudo ou contacto com um ou outro grupo em si. Neste
tópico dedico-me tão somente as palavras que colhi no dicionário
Português-Kimbundu-Kikongo de Padre Maia, e também o dicionário de kimbundu de
Cordeiro da Matta.
EXEMPLOS:
Sina=Xina ou
Sina
Citar=
Kuxitala( radical verbal = -xitala)
Seringa=Xilinga
A letra
K em Kimbundu , serve para expressar exatamente este som,
substituindo por convenção o Q e o C do português (Exemplo : Caixa=Kaxa,
cadeia=Kaléia, banco=banku).
O VERBO- O infinitivo
em kimbundu dos verbos é sempre precedido do prefixo KU, e assim ficarão os
verbos do português que foram inseridos no kimbundu. Também a terminação verbal
do português ,AR, ER, IR, OR, devido a nenhuma palavra em kimbundu terminar em
consoante, serão substituídos por ALA, ELE, ILE, OLO. A conjugação destes
verbos passam a seguir as regras do kimbundu.
Em
quase todos os nomes originados do português que são iniciados pelo som C duro, este som é
substituído por H(mas nem sempre) ao sofrerem africanização para o
kimbundu.
Exemplos:
Cama=Hama
Copo=Hopo ou
Kopo
Cal=Hala
Queijo=Heju
O superlativo
em kimbundu, muitas vezes é representado pela duplicação da palavra,
e tal acontece com as palavras que sofreram africanização.
Exemplo:
Santo=Sandu
ou Santu
Santíssimo=Sandu-sandu
A letra R, normalmente
quando não seguida de I em kimbundu, acaba sendo substituida pela letra L, com
a interposição de vogais quando necessário (por não ser admissível duas
consoantes ligadas). Porém o "LI" é inadmissível em kimbundu, sendo
comum em umbundu, e nas zonas limítrofes do kimbundu. Muitas vezes então
podemos ter também de acordo com a região, a substituição do RI ou DI de uma palavra
do português pelo LI, indicando a origem do grupo em questão. Outras vezes
temos também, devido à região a substituição do LI pelo som DI, quando ao
sofrer africanização.
EXEMPLOS:
Defumar=
Kufumala (-fumala = radical verbal) (Neste caso a sílaba DE foi excluída,
antepondo-se-se o prefixo KU que indica o verbo no infinitivo)
Tarimba =
talimba
Linha=
dinha
Cantar =
Kukantala (-kantala) ( Note o AR final substituído por ALA)
Burro = bulu,
ou kabulu ( Note o som RR, inexistente em kimbundu, substituído pela letra
L)
Tentar=
Kutendala (Note o som NT que passa a ND, tendo o N a função de nasalar o D, bem
como a terminação AR substituída por ALA)
A supressão
de sílabas, as formas abreviadas e contratas, são freqüentes em
kimbundu, e assim também ocorre com as palavras que sofreram africanização.
Como exemplo,
temos a palavra Portugal, que passa a ser escrita putugale, e posteriormente a
PUTU, sendo mukua putu aquele natural de Portugal, português, ou de forma
abreviada também escrito putu, ou kaputu. Com o tempo, por extensão, Putu ou
Kaputu passou a designar também o rei, governante, mandante, senhor...isto de
forma generalizada devido a função exercida como colonizadores por estes
indivíduos. As palavras que possuem duas consoantes ligadas, por não ser comum
em kimbundu, sofrem na maioria das vezes a supressão de uma delas, ou a
interposição de uma nova sílaba seguida de vogal como já vimos em exemplos
anteriores.
EXEMPLOS:
Toma! = Má! Ma-má! (este último reduplicado para dar mais ênfase)
Páscoa=Pasu
Pasmado=pamá
Trigo=tiliku
PREFIXOS DE CLASSE-
Os nomes
(substantivos) em kimbundu, são divididos em classes, de acordo com seus
prefixos. Muitas palavras do português que passaram para o kimbundu, assumem
estes prefixos, e fazem o plural de acordo com as regras do kimbundu.
Algumas
destas como derivados de verbos, tal como por ex o verbo Pintar, que em
kimbundu passa a Kupindala, Os nomes derivados verbais passam a seguir as
normas da língua Sendo assim Pintura palavra derivada deste verbo, passa a
Kipindalu (prefixo KI da classe III), Benzer, outro verbo, que passa a
Kubenzela ao sofrer africanização, sendo Kubenzelela = abençoar para, em favor
de, em (verbo relativo derivado do primeiro) e Mubenzeledi, sendo traduzido
como santificador no dicionário, ou seja aquele que abençoa (prefixo Mu da
classe I), e Kibenzelu traduzido como
benção, prefixo KI da classe III)
O prefixo "U" no kimbundu, indica ofício, classe,
estado ou qualidade abstrata. A seguir deixo algumas palavras que sofreram
africanização, que assumem esta característica ao serem precedidas do prefixo
de classe U.
Pobre=póbili
------ Upóbili=pobreza
Fiel= fieli --------Ufieli=fidelidade
Rico =Liku
------Uliku=riqueza
EXEMPLOS do Prefixo RI (ou DI)
Muitas
palavras que sofreram africanização, assumem como já dito, o prefixo de classe
característico do kimbundu, que precede a mesma, e deixo alguns exemplos a
seguir.
Tijolo=ditijolu
Cruz=dikulusu
Coroa dikolôua
Ferida=fidila
Tacho=ritasu
Adjetivos Qualificativos
Os relativos
à objetos são precedidos de kia (contração de kima kia), e os relativos à
pessoas são precedidos de ua (contração de mutu ua). Assim, por exemplo, em
kimbundu, a palavra rei tem o significado de soba, e kiasoba é igual a real.
Desta mesma
forma temos kalunga como mar, e kiakalunga como marinho.
Assim também
ocorre com muitas palavras que sofreram africanização.
Saude=saudi
ou sauídi ; e sanitário(relativo a saúde)= kiasauídi
Novu=novo ,
Kianovu=recente, novidade
Nenhuma sílaba em kimbundu termina em consoante
Todas as
palavras que possuem silbas terminadas em consoantes no português, normalmente
quando inseridas no dicionário de kimbundu, ao sofrerem africanização, perdem a
consoante final, ou acrescentam uma vogal final a esta sílaba.
EXEMPLOS:
Lápis=lápi
Salvante=salavande
Funil=funilu
Doutor=ndotolu(note
como a letra D também passou a forma nasalada ND)
Anil=anili
Blusa=
Buluza
As
vogais inicias de muitas palavras do português são muitas vezes(mas
nem sempre) excluídas, ou precedidas de prefixos ao sofrerem africanização,
assim também acontecendo com diversas palavras que não iniciam-se por
um prefixo de classe conhecido, que passam a ser precedidas de
um. Assim também, em relação as vogais,
acontece não só no inicio, como no interior da palavra em si, quando temos o
encontro de duas vogais na escrita (mas nem sempre).
A vogal E,
muitas vezes passa a se escrever I, pois assim faziam a pronuncia.
Quanto ao O
final dos nomes, em kimbundu, sempre teremos a vogal U final no lugar de O, a
não ser que o nome em questão tenha a vogal O anterior, fazendo então que a
terminação seja em O, procurando assim a maior sonoridade da língua. Por isso
kimbundu escreve-se com U final, e Ngolo, com O final, e não precisamos decorar
nada para sabermos quando terminar com O ou U qualquer nome. Esta é uma regra que podemos observar em quase todas as palavras do kimbundu, com algumas poucas exceções (os nomes da classe IX com a vogal I inicial), considerando o linguajar do kimbundu de Luanda.Já deixei clara a
razão de permanecer com o nome escrito KIMBUNDOHP, para denominar a nossa
página.
Quando digo
“mas nem sempre”, significa que muitas vezes encontrei no dicionário a palavra
escrita tal qual se fala no português, ou com poucas alterações em sua
estrutura
Ao final do
trabalho poderemos ver inúmeras palavras que comprovam o que digo.
EXEMPLOS:
Adobe=Ndobe
Almofada=mufata
(Note aquí também a substituição do T pelo D)
Anzol=nzolo
Aparelho (no
dicionário traduzido como receptor)=apalelu
Engano=Inganu
Anel=nela
Europa=Ulopa
Arroz=loso
Agasalho=Kazalu
Até=Katé
Caloteiro=Kalotelu
Cadeia=Kaléia
Caixa=Kaxa
Cedo=Selu
Ouro=ulu
O til do
português, ÃO, ÕE, não existem no kimbundu, e ao sofrerem africanização,
muitas destas palavras (mas nem sempre), sofrem modificações.
EXEMPLOS:
Limão=rimá,
dimá
Mamão=mamá
Feijão=fejá,
feijá
Sótão=kasote
Grão=grâu
Balcão=balakãu
Balão=balãu
O aumentativo em kimbundu,
se faz precedendo a palavra do prefixo ki, ou colocando após a mesma a palavra
–onene, precedida do prefixo de concordância, as vezes também seguido da
palavra dikota(com o significado de maior) e assim da mesma forma se faz com as
palavras que sofreram africanização.
EXEMPLO:
Garrafa=ngalafa
Garrafão=ngalafa
ionene
Pato=patu,
dipatu
Ganso=patu
dinene (ao pé da letra=pato grande)
Casacão=
Kazaku ka dikota
Cavilha=peleku
inene( ao pé da letra=prego grande)
A letra B e a
letra V, por vezes são substituídas conforme pronuncia, sendo mais
freqüente o V em kikongo, e assim acontece nas palavras africanizadas, percebemos
pois estas substituições.
Quanto as
plantas em geral são agrupadas em kimbundu na classe II (precedidas do prefixo
MU), e as frutas estão geralmente agrupadas na classe IV (prefixo de classe RI
ou DI). Ao sofrerem africanização, muitas destas palavras assumenm estas
regras.
EXEMPLOS:
Limão=dimá,
rimá (plural=marimá, madimá)
Limoeiro=Murimá,
mudimá
Manga=manga
Mangueira=mumânga
Laranja=dilalanza, rilalanza
Mulalanza=laranjeira
* Vemos por
vezes no dicionário, laranja traduzida com rizelu ou dizelu, mas na realidade
esta trat-ae de uma laranja amarga, e temos também a tradução riboke ou diboke,
mas esta trata-se de uma fruta semelhante a laranja, que tem um veneno atroz,
que acabou servindo como tradução para a laranja que conhecemos devido a
semelhança com o fruto,
LISTA
DE PALAVRAS
Seguem aqui
algumas palavras escritas tal como encontrei no dicionário, que servem para
ilustrar tudo o que foi dito. Embora muitas delas tenham outras traduções,
originais da língua kimbundu, deixo aqui somente as traduções relativas ao tema
deste tópico. Como já disse, muitas sofreram mudanças ao sofrerem o processo de
africanização, outras porém permaneceram intactas ou sofreram poucas
modificações. Fica a lembrança, que o plural destas palavras se dá de acordo
com as regras do kimbundu, e que os verbos sofrem o mesmo processo de
conjugação de acordo com a língua. Desenvolver este tópico para mim foi de
vital importância para que pudesse compreender melhor a pronuncia e resolvi
deixar visível na HP aquilo que pude perceber e colher, e agradeceria a todos
aqueles que possam trazer suas contribuições ou questionamentos quanto as
traduções dadas.
Açougue=soki
Açúcar=sukidi
Acusar=kukuzala
(-kuzala)
Adobe=ndobi
Afora=kafola
Afundar=kufundala
(-fundala)
Agasalho=kazalu
Agosto=angostu
Agulha=ngúia
Afinete=funete
Algibeira=njibela
Aliviar=kuleviala
(-leviala)
Alho=áiu,
kiáiu
Almoçar=kudimusala
(-dimusala)
Almoço=lumosu
Almofada=mufata
Amofinação=mufina
Ananás=nanaji
Anel=nela
Anil=anili
Anzol=nzolo
Apitar:
kupitala (-pitala)
Apito:
pitu
Arroz=loso,
luoso
Até=katé
Atrasar:
kutalazala
Azeitona=njitona
Azulejo=zuleju
Bacia=mbaxinha
Balança=pesesu
,pezu(relativo ao pesar)
Balde=mbáliti
Banco: banku,
bangu
Bando=mbandu
Barato:
mbalatu
Batata=mbatata
Bateria=batadia
Batizar=kubatizala(-batizala)
Baú=mbahúlu
Benção: besá,
dibesá
Bíblia=bibidia
Bigode=bikote
Bispo=mbispu
Bloco=boloko
Blusa=mbuluza
Bocado=bukatu
Bolo=mbolo
(servindo por extensão para denominar o pão)
Botão=mbotau
Buraco=bulaku
Bússola=kaluloju
(=pequeno relógio)
Cada=kala,
kâla
Cadeia:
kaléia
Caixa=kaxa
Cal=hala (Poe
extensão passa a ser tradução também para giz, que em kikongo equivale a
nkala)
Calabouço=kalaboso
Calor=kalolo
Cama=hama,
kama
Camboio=kumbóio
Candeia=Kandéia
Cantar=kukantala
(-kantala)
Canto=Kandu
Capa=kapa
Capital=kapitale
Capitão=kapita
Cara=kala
Careca=kaleka
Carro: kalu
Cartão=kapapela
(pequeno papel)
Casear=kukaziala
(-kaziala)
Castanha=kastanha
Castigo=kaxitiku
Cavalo=kavalu
Cebola=sabola
Cedo=selu
Chá=xá
Chaleira=xalela
Chama=sama
Chapéu=xapéu
Chave=sabi
Chicote=xikote
Cigarro=xigalu
Cimento=ximendu
Cinta=xinta
Cirurgião=sulujá
Citar=kuxitala
(-xitala)
Classe=kalese
Cobre=Kóbiri,
kóbidi
Confissão=konfesá
Conjugue=mukazadi
(aquele que é casado)
Conta=konda
Copo=hopo,
kopo
Coqueiro=mukoko
Cor=dikóua,
colo
Coroa:
dikolóua
Couve=dikovi
Cruz=dikulusu
(também traduzida como sofrimento, isto é , a cruz)
Cumprir=kumbirila
Dedal=diladi
Defumar=kufumala
(-fumala)
Defunto=difundu
(Mona ua difundu=órfão, ou seja filho do defunto)
Diamante=diamande
Dicionário=dixiunáliu
Discípulo=xíbulu
Divino=kiasantu
(do santo)
Doce=ndose
(por extensão também é a tradução para biscoito)
Domingo=lumingu
Dor=ndolo
Doutor=ndotolu,
dotolu
Engano=inganu
Engatar=kungatala
(-ngatala)
Ensinar=kuxinala
(-xinala)
Então=andá,
antâo
Escola=xikola,
sikola
Escova=xikova
Esmola=simola,
jimola (este ultimo colocado no plural)
Espada=xipata,
sipata, xibata
Estaca=ditaka
Estanho=tanhu
Europa=Ulopa
Fada=fenda
Fava=faba
Febre=févele
Feijão=fejá,
fuejé, feijá
Feitio=fitiu
Ferida=fidila
Ferramenta=felamenda
Ferro:
felu
Fermento=felemendu
Festa=fesa,
feta
Figo=fiku
Figura:
fikula, figula
Fino=kiafina
(próprio do fino)
Fio=fiu (por
extensão traduz também o telefone)
Falamengo=difulumengu
Figo=fiku
Flor=fololo
Foco=foku
Forro
(livre)=folo
Foto=foto
Fraco=falaku
Freguês=falakeji
Freio=felu
Freqüente=jiveji
(ou seja, é o plural de veji=vez, traduzindo-se portanto por “muitas
vezes”)
Fruta=fuluta
Funil=funilu
Furo=fulu
Gago=ngaku
Gaiola=ngaiola
Gaita=ngáita,
ngaieta
Gala=ngala
Ganho=nganhu
(por extensão passa a ser a definição também para salário, lucro)
Garfo=ngálufu
Gás=gaji
Gastar
(esbanjar)=kungastala (-ngastala)
Gasto=ngasu
Gato=ngatu
Gaveta=ngaveta
Girafa=jilafa
Graça:
ngalasa
Gramática:
galamátika
Graça=ngalasa
Guarda=nguarda
Harpa=álapa
Hora=ola
Horta=orta
Hortelã=olatalá
Hospital=jipitale
Igreja=igeleja
Induzir=ndunjila
Infante=kifanda
Insoso=ususu
Janela=njanela
Jejuar=kujejuala )-jejuala)
Jejum=jejú
Jesús=Jezú
Jogo:
joku
Lácteo=kialete
(do leite)
Lápis=lápi
Lata=laka, ou
lata
Lei=lei
Leite=lete
Letra=lêtela
Lição=risá ,
disá, disâu
Licença=disesa
Limão=dimá,
rimá
Linear=kiamadinha
( aqui temos a palavra madinha=plural de dinha(linha), precedida de Kia)
Litro=lítulu
Livro=livulu,
divulu
Logo=lôko,
lókue
Machado=dixalu
Macio=kialevu
(próprio do que é leve)
Madre=mádele
Mamão=mamá
Manga=manga
Manteiga=mateka
Manto=mandu
Maquina=makina
Mármore=mámola
Mas=maji
Medida=midila
Melão=melá
Mesa:
meza
Moço:
moso
Morango=mulangu
Navio=navíu
Nódoa=noda
Nunca=nuka
Obedecer=kubelesela
(-belesela)
Oferecer=kufelesela
(-felesela)
Oratório=kalatódio
Órfão=olafa
Ouro=ulu
Ourelo=ulélu
Padre=pátele
Palmo=pálumu
Para=pala
Paraíso=paladizu
Parar=kupalala
(-palala)
Parede=palelo,
palelu
Pasmado=pamá
Passeio=kipasialu
Pato=patu
Peito=petu
Pena=penda
Perda,
prejuizo=péleka
Perú=pilú
Petróleo=putóliu,
petololo
Pintura=kipindalu
Pobre=póbili,
kapóbidi
Porco=póloko
Portal=portalu
Portugal=Putu
Português=Putu
ou Kaputu (por extensão designa de forma generalizada o governante, senhor,
rei, etc....
Preço:
pelêsu
Prego=peleku
Preso:
pelêzu
Primo=pilimu
Promessa=polomesa
Pronto:
polontu
Poupar=kupopala
(-popala)
Pulga=pulúkua
Purgante=pulukande
Puxo=puxu
Que=ki
Queijo=heju
Queixar=kukexala
(-kexala)
Recente
(novo)=kianovo (do novo)
Regedoria=umanda
(natural do mando, da ordem)
Relógio=loloji
Remédio=lumédiu
Reza=kirezalu
Rezar:
kulezala (-lezala)
Riqueza:
uliku
Roda: dilola
, hoka
Rodela:
kalola (pequena roda)
Sabão=Nzabá
Saco=disaku,
saku
Sagrado =
kiasantu , uasantu
Sal=sáu
Salada=zalata
(por extensão, acabou designando algumas folhas utilizadas para a salada)
Salário
(ganho)= nganhu
Salmo=sálamu
Salvante =
salavande
Sandália=disandelu
Sanitário
(relativo a saúde) = kiasauídi
Santidade =
usandu
Santificado =
a-mu-benzelesa
Santificador
= mubezenledi
Santíssimo =
sandu-sandu
Sardinha =
sarinha
Satanás=satanaji
Satânico =
kiadiabu (do diabo)
Saúde =
saúdi, sauídi
Seiar=kuseiala
(-seiala)
Selim =
xelim
Selo
=selu
Se=se
Sem=sê
Ser tentado =
kutendálua
Ser senhor de
si (livre) =lufolo (forro)
Serra =
sela
Serrar =
kuselala
Servente =
selevente
Serviço=sedivisu
Servir =
Kusirivila, kusilivila
Sesta=sésa
Sina (
sorte)= xina, sina
Sinalizar
(marcar) = kumalakala (-malakala)
Sim = xi
Sipaio=xipaio
(palavra de origem persa, assim chamavam-se os soldados nos séculos XVIII e XIX, que estavam a serviço
de Portugal, França e Grã Bretanha
Sobra=suba
Sobrado=salabalu
Sobrancelha=subidisê
Soco=disoko,
soko
Sofrer=
kusofelela (-sofelela)
Sofredor=musofeledi
Soldado=disolado,
soladi, solalu
Sorte=sorti
Suador=kisualu
Suar=kusuúala
(-suúala)
Submeter
(fazer obedecer)=kubeleselesa (derivado do verbo –belesela=obedecer)
Sul=sulu
Suor=suolu
Surra=sula
Surrar=Kusula
(radical verbal=sula)
Tacho:
ditaxu, ritasu
Tambor=tambolu
Tanque:
ditangi
Tarde=tariri,
tádidi
Tarrafa:
ditalafa
Teatro=tiátulu
Telha:
ditéia
Tempo:
tembu
Tentar=kutendala
(-tendala)
Tentação:
tendasá
Tentar:
kutendala (-tendala)
Tênue=kiafinu
(próprio do que é fino)
Terço=talêsu
Terremoto=telemotu
Tesoura=tujola
Tigela:
ditijela
Tijolo:
ditijolu
Tinta=tinda
Toalha=dituáia
Tomate=lumata
Trocar=
kutulukala(-tulukala)
Tratar=kutalatala
Tratado=kitalatalu
Trigo=tiliku,
tiligu
Trocar=kutulukala
(-tulukala)
Troco=Tôloko
Tropa=masoladi
(aqui em referencia a um conjunto de soldados)
Ufieli=fidelidade
Unguento=nguendu
Uva=uva
Ukaza=casamento
Ungüento=nguendu
Universal=kiamundu
(do mundo)
Vã=sê valolo
(sem valor)
Vagina=kivaji
Valer=kuvalela
Valioso=kivalelu
Valor=kivalelu,
valolu
Varanda=mbalanda
Vela=nvela
Velha=veia,
védia
Velho=velu
Veneno=venenu
Vingar=kuvingala
(-vingala)
Vapor=vapolu
Varanda,
alpendre=mbalanda
Vez=vezi,
veji
Vidro=vídulu
Vinho=vinhu
Você=xê
Vontadi=vondadi,
mvondari
Zero=Zelu
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