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A Língua-de-Santo

As religiões afro-brasileiras nascidas na escravidão e genericamente chamadas de candomblé na Bahia, xangô em Pernambuco e tambor no Maranhão, cada qual é um tipo de organização sócio-religiosa baseada em padrões comuns de tradições africanas, em um sistema de crenças, modo de adoração e língua. Neste contexto, língua deve ser entendida mais como um veículo de expressão simbólica do que propriamente de competência lingüística. O seu uso é circunscrito a um sistema lexical de base africana relacionado ao universo religioso dos recintos sagrados onde se desenrolam as cerimônias do culto, e já modificado, em sua origem, pela interferência da língua portuguesa no Brasil.
Esses elementos do sistema - crenças, modos de adoração e língua - estão de tal maneira estruturalmente associados que um dos critérios de categorização marcante na classificação dos candomblés em "nações" que se dizem jeje-mina, nagô-queto ou congo-angola, tem como principal componentes as diferenças de procedência meramente formais de um repertório lingüístico de origem africana, específico das cerimônias ritualísticas em geral e de cada "nação" em particular, ou seja, ewe-fon ou jeje-mina, iorubá ou nago-queto, banto ou congo-angola. Em outras palavras, no sistema lexical africano sobre que se baseia a linguagem litúrgica de cada uma dessas "nações", há predominância dos seguintes termos:

- de base banto, da extensa famílllia lingüística sub-equatorial, destacando-se as línguas do Congo-Brazzaville, Congo-Kinshasa e Angola, entre as conhecidas por congo e angola, e suas ramificações congo-munjolo, congo-cabinda, etc.
- de base ewe-fon, do grupo de lííínguas faladas em Gana, Togo e B enim, destacando-se o fon do reino do Daomé, entre as que se denominam de jeje e mina, e suas derivadas, jeje-mahi, jeje-mundubi, mina-savalu, etc; - de base iorubá, língua que reúnnne dialetos falados na Nigéria ocidental e o nagô, do reino de Queto, no Benim, entre as que se dizem nagô, queto ou ijexá e suas variáveis, nagô-tadô, nagô-vodunce, nagô-muçurumim, etc.

Texto extraído do livro FALARES AFRICANOS NA BAHIA (um vocabulário diferente), de Yeda Pessoa de Castro



Baseada neste livro trarei outros textos, todos dentro do contexto - língua. Principalmente o que se fala na Bahia.

Mam´etu Maza Kessy



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